A Menina Que Engoliu o Sapo
A Menina Que Engoliu o Sapo
Ver Detalhes         Ver Detalhes

Opinião



Resposta aos dois epílogos do livro “AULA DE INGLÊS”, de Lygia Bojunga, em meu livro CONVERSANDO COM LYGIA.


Oi, Lygia, Nem ainda colhi tua resposta e já estou no meu esconderijo do lápis e do papel. Quero te falar dos teus dois epílogos do livro AULA DE INGLÊS.
Como tenho que escolher um, de início fico com o segundo. Mais leve, livra o professor de ouvir explicações de Tereza Cristina, apenas agradecida ao professor-protetor.
Indiferente aos seus sentimentos, sem lhe dar chances de revelar sua paixão por ela, sem saber do seu outro lado, de suas expectativas. E, ainda, alugando os seus ouvidos até o último minuto, para falar do seu amor por outro, um escritor, que lhe pegou pela escrita e pelo homem. Sadicamente, lhe torturando até o fim.
Não sei por que tomei as dores do professor. Acho que desde a cena do abraço rejeitado em Londres, cheio de ojeriza. Ele, inseguro, pedindo piedade com os olhos, para falar que não seja do amor, mas do sofrimento. Ela dura, com o olho no caminho, pedindo: esqueça que eu existo.
Por um momento, fiquei do lado de Tereza Cristina, me vi na contradição de um abraço intruso e um abraço rejeitado. Um abraço de audácia do professor e uma frieza de quem diz que ele passou dos limites.
Mas logo esqueci sua audácia e pensei na sua angústia retida tanto tempo, ela só falando dela e ele ouvindo. Além do que, senti o professor humilhado e me lembrei da cena da cena da capa de chuva de Tereza Cristina, esquecida em sua sala de jantar, e ele tentando abraçar o vazio... Em sua fragilidade...
Mas, pra falar a verdade, não escolheria nenhum dos dois epílogos. O livro acaba para mim no encontro do professor com a tia Penny, amor secreto da sua infância. Ali ele se libertou do rosto de Tereza Cristina. Fez a sua catarse e liberou todos os bloqueios, falou de amor sem rejeição. O tempo e o espaço já não eram mais impedimentos. Os impedimentos da idade se dissiparam numa atmosfera de entrega ao prazer das palavras. Da lembrança do que não foi dito.
E, ela, Penny, saboreava as palavras do seu aluno e sobrinho emprestado. Esse é o momento-chave do livro, no qual se enquadrou uma cena inesquecível. Ligaram-se os fios do sentimento e se registrou a Penny da paixão oculta (do passado), da paixão desvendada (no presente) e da ternura (lembrança do futuro). Que momento grande esse último encontro! Um flashback de duas vidas. Num ambiente de calor interno e externo. Você torna vivos seres inanimados, objetos, como se fossem pessoas agradecendo momentos de atenção. Objetos que contam histórias de seus alunos, através da atmosfera de aconchego.
Momento crucial em que o professor se livra do fantasma do silêncio. E consegue abraçar. Dar voz a sua vida e dá fogo ao final da vida de Penny. Que abraço monumental que joga pro alto duas fragilidades, a psicológica ( o medo do professor ) e a física ( os ossos de Penny).
Tudo encerrou ali. A Tereza Cristina era apenas a Penélope, um apêndice de duas impossibilidades, na trajetória de duas realidades: um professor e um escritor (Otávio Ignácio).
O primeiro mais real, apesar de não ter nome, mas representar uma ilusão verdadeira. O segundo, a ficção através da ilusão do fantástico. Uma paixão confundida com a imaginação. Tereza Cristina, personagem de livro (Penélope), prisioneira da ilusão de musa. Tereza Cristina real, menina solidária com a miséria da África. Aluna de um professor de inglês. Tereza Cristina real, possuída pelo escritor. Ilusão de uma paixão envergonhada? De uma Tereza Cristina disfarçada, enganando a ficção como menina valente?
Contraditória menina... Ouve o sentimento de dor coletiva e com os ouvidos moucos ao sentimento-sofrimento de um frágil professor.
Vingativa da crueza do professor em lhe apontar a ilusão? Crueza vestida de proteção? Ou de amor egocêntrico não correspondido?
Otávio Ignácio, apenas escritor, apaixonado por sua narrativa? Ou de fato preocupado com os pendores sociais da sua musa? Sempre objetivo, não admitindo nenhuma culpa na ilusão de Tereza Cristina. Sempre abraçando só a Penélope. Abraçando a ficção.
Culpada seria ela por sua inocência? E o professor por sua intromissão?
Aguardo o seu olá.
Beijos de curiosidade.
Penélope.





Perguntas e Reflexões sobre:


EM QUINCAS BORBA, DE MACHADO DE ASSIS: “Humanistas é principio”

Pergunto: até onde o afeto é natural? Circunstancial? No cão e no homem?

Valor de sobrevivência e de essência? E, ainda, obrigação em natureza disfarçada?





UM ENCONTRO COM A LIBERDADE


Por Dilma Bittencourt

Enveredando pelo desabafo do autor de “O Pequeno Príncipe”, Antoine de Saint-Exupéry, em suas recordações de infância, vejo um encontro com a frustação de seu desejo de menino-pintor.

Em sua vida já adulta, desenha a sua vontade, sua individualidade, em suas aquarelas, mas com a mágoa de não ter sido dono de sua infância.

Nasce o menino-adulto em o “O Pequeno Príncipe”, retrato de uma solidão com respostas próprias. Seus desenhos e sua imaginação simbolizam sua liberdade. Uma resposta ao questionamento do autor à incompreensão e à inteligência de certos adultos que não o incentivaram a realizar os seus sonhos.

Seriam esses adultos seres que nunca foram crianças? Seria o desenho da jiboia engolindo o elefante o retrato do adulto engolindo uma criança? Seria o pequeno príncipe, protagonista dessa mágica história, em seu encontro no deserto, as asas do autor?

Seria o silêncio do protagonista às perguntas não respondidas do autor a resposta ao seu direito de falar e pintar?





UM RETRATO DE DEUS


Acreditar na humanidade e no poder reflexivo da humanidade é falar de Deus.
O homem se revela, se desnuda, quando questiona, dialoga, mergulha no seu interior,
Penetra nos limites de outros seres humanos, lhes dando espaços e ouvidos para:
se definir, se contradizer, se confirmar, ou mesmo se achar nas expectativas do outro.
A palavra Deus significa o que somos, nossa própria existência, esse universo de singularidades,
Numa dimensão cósmica integrada, ouvindo a razão, a consciência, o estar aqui, a pensar o futuro,
Num processo de criação da nossa própria história.
Falar de Deus é falar da sintonia com o todo, na dinâmica constante das transformações do presente.
Deus é o nosso ouvido, nosso ato, nossa palavra.
Estado de reflexão, compartilhamento, responsabilidade de cada um consigo e com o outro.
Deus é criatura, somos nós desvendando os mistérios da fé.
Todas as fés e nenhuma fé. Elo de paz e existência, em todos os estágios de vida.
Deus é negação do poder e da dependência.
E da pretensa fé: o fanatismo.
Deus é uma incógnita física, mistério da convicção.
Deus não exila o ateu, condena o fanatismo e o pré-conceito,
Um liberal com todas as religiões, seitas e credos,
Onde o centro é o todo, não se fragmenta, se funde em nós.
Onde está Deus? Na terra de ninguém e de todos, em nós!





EXCRECÊNCIA DO PODER


TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA, de LIMA BARRETO, Editor Victor Civita, 1984, uma leitura atemporal, personificada em ações conservadoras e que retratam os dias de hoje.
Uma crítica ao comportamento dos seres a quem não comportam a existência do afeto, da amizade, da preocupação com o outro, da solidariedade. Em que a vida reserva apenas a sua projeção em cargos militares, sem traduzir uma resposta de nação... Induzindo aqueles que, por necessidade ou inocência, “patriotismo”, se comprometem com as ordens do poder.
O fim de Policarpo, personagem chave, traduz esse processo e de Ismênia, mulher submissa aos valores de uma sociedade preconceituosa, machista, autoritária, objeto até hoje dos valores caprichosos e capitalistas do poder, dão voz ao grande livro desse autor ímpar.





DEMOCRACIA, UMA INTERROGAÇÃO.


COMO AS DEMOCRACIAS MORREM, de Steven Levitsky & Daniel Ziblatt, um livro para diagnosticar como o poder, a influência econômica, o racismo, a religião, a imprensa, até hoje, determinam historicamente a formação dos partidos, o direito a uma representação verdadeira do eleitor.

A manipulação, os acordos em questões antagônicas, descaracterizam o voto do cidadão.

Os autores falam em colapso da democracia no mundo. E desnudam a democracia nos EUA, desacreditando o mito de um país por excelência democrático. Contando a história americana, refletem o cerne da questão em todos os países do mundo.

Uma importante leitura para se interrogar se real é a democracia ou mera ficção.





Caminho Da Reflexão


PEDAGOGIA DO OPRIMIDO, de Paulo Freire, Editora Paz e Terra, 2021, livro fundamental a ser desvendado no início de vida do ser humano. Com os pais, na escola e em todo relacionamento de vida.

Lido, relido e debatido para se entender o nosso por quê. Por que estamos aqui e o porquê do outro, sua realidade. Em um encontro de humanidade!

Um texto para acordar o ser, enquanto pensante, para ação e transformação. O homem em busca de uma sociedade política, econômica, social, afetiva, em diálogo. No Universo onde não existe o “é”. “Somos”! E assim o confronto de ideias se transforma na razão do diálogo de ideias.

Uma sociedade revolucionária no TODO. Onde cada um é. Onde, numa leitura dialógica do mundo, a história colonial, reacionária, impositiva de uma cultura retrógada, opressora deste poder de ser e excluir, não tenha mais espaço, abrindo caminho para uma justa e coletiva transformação, com base no AMOR!





Escrita sem mistério


Para mim o escritor é um observador do mundo. Movido a detalhes dos fatos e dos atos. E, assim, os personagens se transformam em relatos próximos à sua vivência, ao seu olhar das diferenças, às semelhanças e às reflexões sobre tudo que lhe preocupa, deseja, tudo que aflora sentimentos e existência.

Escrever é um ato solitário com ressonância também no passado, algo escrito em sua mente, resultado de uma ruminação e compreensão no presente, liberto de uma ansiedade contida.

O escritor se desvenda em seu olhar crítico para tudo, para todos e para si mesmo. Ao esmiuçar detalhes, refletir sobre eles e dar espaços aos leitores para vivenciarem ou mesmo se encontrarem nas histórias singulares de cada um.

Escrever é um laço de percepção interna e externa, sem freios, sem limites, que dá vida às experiências perpetuadas nas palavras, nos pensamentos, nos olhares e ouvidos.

E os livros são perspectivas e leituras de vidas que se fecham em palavras.





Repetição de privilégios


Os negros-pobres, por falta de opção, são personagens que se eternizam na memória do sistema social econômico. Retrato descrito com profundos detalhes no livro de Jessé Sousa , “Elite do Atraso”, editora Leya, 2017.

Como se, de fato, o direito de exploração não pudesse ser revertido. A lei que aboliu a escravidão criou uma formalidade de direito, mas não libertou o negro da exclusão.

E esse martírio se reproduz, internalizando no ser excluído uma falsa liberdade de ir e vir, sem a ideia de como.

Como vencer as desigualdades dos meios para isso e competir de igual forma?

A fôrma do escravo moderno se perpetua com o sistema excludente. Vencer esse sistema, de forma civilizada, é a utopia que conforma o negro à sua aceitação como excluído.

Uma violência interna que não causa nenhum efeito aos olhos de uma elite individualista. A discriminação apenas seleciona os mais aptos, os nobres senhores com eternas chances familiares de ascensão.

Mas quando aflora a revolta daqueles que não se aceitam permanentemente explorados, sem chances de sobrevivência, externaliza-se, então, o ódio, a violência e as suas consequências, desajustes de uma sociedade doente.

A “Elite do Atraso” nos propicia diversas leituras do texto, na diversidade dos enfoques sociais, econômicos e históricos, abordados com lucidez pelo autor.





A Voz do Conto de Fadas


Quem primeiro contou, vivo está, ainda, na ponta do dedo do escritor. E quem recontou e não viu, acrescentou, diminuiu, ponderou e dividiu.

Por de trás dos contos de fadas, estão os olhos do escritor a espiarem a alma humana. Eles descortinam um universo em miniatura. E dão voz ao adulto e à criança em seus desdobramentos diários. Alimentam as histórias que lhe foram contadas, vivenciadas e transformadas por nossos tataravôs.

Com sutileza nos envolve com as mais diversas versões, traduções e adaptações. Nos contos que nos contavam as mais tristes e alegres histórias do humano na Terra. Na voz do contador que não tem tempo, nem lugar, fala a linguagem de todos os tempos e de todos os lugares. Dependendo de quem conta, para quem se conta e onde se conta.

Mas as histórias se repetem com a cor do lugar, com a data do tempo, com a ótica do contador. O tema é universal, o Homem, com suas bondades, maldades, em suas circunstâncias. Quem disser que é mentira não percebeu a fada (o escritor) tentando o tempo todo “transformar” o Homem. Essa é a mítica do conto de fada.

O homem, como fato, transformado em príncipe, rei, bicho, seres inanimados, atravessando o mundo das histórias simbólicas. O objeto do conto de fada é a vida em miniatura, desdobrando-se e perpetuando-se nos clássicos que atravessam gerações. Gerações que ouvem as histórias, lêem as histórias e navegam nos registros escritos das mais diversas interpretações. Gerações que aprendem a sonhar, acordar e, na mais infinita certeza, acredito, a se sentirem um dia um Homem melhor.

Os contos de fadas revelam o sentido do prazer e da realização desse prazer, através do poder realizar. É esse poder diante dos fatos históricos, políticos, sociais, econômicos, tanto faz fatos de uma aldeia ou de uma grande cidade.

Muitas vezes o conto fantasia a realidade, como se fácil fosse mudá-la, dependesse apenas do rei de coração bondoso, do rei vingativo, do príncipe apaixonado, a desejarem reparos no comportamento do seu interlocutor. Mas se assim não fosse, não seria contos de fadas.

O conto, como denúncia do comportamento antiético, é real. E retrata o contraditório do Homem diante da vida, em seu mundo individual e particular, ora se tornando fada, ora bruxa. Retrata pobres e ricos diante das suas conveniências, ameaças, injustiças e necessidades.

A fada do conto de fada é a denúncia sutil do comportamento do dia- a- dia. O homem fantasiado de bicho, seguindo o instinto de sobrevivência. Enquanto os bichos “inteligentes” negam o ético, o dever-ser, indicando o pior destino aos bichos travestidos de homem. Podemos observar o aludido na primorosa edição de capa dura dos “Contos dos Irmãos Grimm”, especialmente no intitulado “Os Músicos de Bremen”, editora Rocco, 2005.

Os donos do burro, do cachorro e do gato os descartam diante da sua atual inutilidade. O do galo, diante da sua necessidade. Do ato impensado, a fuga dos bichos. Da fuga, a formação da orquestra, o encontro com os ladrões de uma casa, com mesa farta. A posse, pelos bichos-músicos, da casa alheia, e a expulsão dos ladrões, com o arranhão do gato, a mordida do cachorro, o coice do burro e o cocorocó do galo.

Instalados e bem alimentados no circulo vicioso e viciado das circunstâncias, os quatro músicos de Bremen não deixaram mais o local. E, como disse o autor, “E quem contou a história por último ainda não acabou de contá-la.”

Bichos tornam as histórias mais palatáveis ao adulto, que se enxerga, mas não se identifica, e na criança despertam o lúdico, que, com sua natureza espontânea, cria elos com os mais amigos e os mais perversos, formando a sua memória e talvez traçando o seu destino. Destino que incorpora reis, rainhas, príncipes e princesas, o sonho de uma criança que o idealiza através dos personagens.





A Arte da Escrita


De repente olhei o retrato da moça e a achei alegre. Inocente, ela se disse, envergonhada. Quem sabe estava triste na sua falta de percepção.

A vida é assim, se faz caminhando, e a vergonha que sentimos faz parte da nossa vaidade. E assim falei para ela: escreva!

Contos, versos, ensaios, estão repletos de nós, das intenções que não são premeditadas, existem em nós. Em quantos nos fragmentamos, nos dividimos, na contraditória relação com o mundo e as suas diversidades?

Todos nós fazemos diariamente a nossa obra de arte, e a arte, como imagem, caminha com os nossos passos, para a fotografia que revelamos nas palavras escritas.

Falar do politicamente correto é como imprimir valores morais fugazes. Não permanentes. E quem tem autoridade para dizer o que é ou não certo para o mundo? O que importa é perguntar: o que é ético? E aí escrever todas as histórias, navegando em todos os mares, de todos os tempos, sem atravessar ninguém.

Muitas vezes é difícil enxergar o ético na infância, e da cegueira os livros nos marcam, até nos desvencilharmos deles!

Escrever para criança exige tintas diversas para o rico universo da criança. Esse é o primeiro passo. Os outros caminham com a criatividade, humor, olhar interativo, tristeza, literalidade. E tentar agradá-las com a arte mentirosa da ficção, aí está o mistério. E comecei a pensar: para que criança vou escrever? A que tenho dentro de mim? E esqueci meu olhar na infinidade de crianças ao meu redor, nas minhas leituras e observações diárias. E comecei a pensar nas tintas, tonalidades, performances, onde as palavras se encaixariam, e descobri que a emoção não tem fórmula!





Por que ler Machado de Assis na escola?


O livro, como matéria prima de consciência, alimenta, seduz, forma e não conforma.

Ler é um exercício de respiração, transpiração, terapia da alma, alimento e necessidade.

Da leitura de um texto de Machado pode se formar propósitos, intenções, despertar fantasias, acordar para os conflitos.

O poder da palavra é imenso, tanto para formarmos leitores, quanto para formarmos consciências.

A arte de Machado está no permanente diálogo dos seus narradores e seus leitores.

Arguto nas interrogações, suas tramas são preciosos veículos de análise do comportamento humano, metaforizado na ironia, humor e imagens.

Seus textos transcendem o espaço e tempo e simbolizam a ocasião e circunstâncias.

“A literatura é uma experiência de transcendência que diz respeito ao mundo real”, afirma Joel Rufino dos Santos.

Instrumento de deleite e reflexão, os contos de Machado, como objeto de estudo em sala de aula, possibilitam ao jovem o parâmetro no seu contexto de vida atual.

Um olho individual de cada jovem para ação e reação dos personagens, que geram o debate e a variante de opiniões e diferentes perspectivas, o conflito de ideias e o processo de socialização.